Tocar você
Tocar você
Ah! Quero você.
Porque eu sou assim;
mesmo de querer.
Ah! Quero você.
Porque tenho pra mim;
Que sou teu solo
de guitarra;
meio sem querer.
Ah! Quero você.
Porque pensando em meter;
Você vai me querer.
Ah.... Quero você pra mim;
Porque nessa de querer;
Vim pra dançar
só com você.
Lira, março 2012
Ela não vem atoa;
Não vem do nada.
A palavra
é quase sempre egocêntrica;
Não quer ser frase.
A P A L A V R A
é expressão.
Na TPM, ela quer se palavrão;
FODA-se!
Mas quando a palavra quer
delicada;
Ela nem precisa ser dita, gritada.
É sussurrada;
Cabe no gesto.
Lira, 29-01-12
Não brinque com a ansiedade
que eu tenho de te ver.
Não brinque de vaidade;
quando o natural faz de você
mais real;
mais tocável.
Não brinque de amor
quando nem souber que se é paixão.
Brinque de cama;
se for só tesão.
Brinque de verdade;
para apagar a mentira.
Brinque de rimar
quando as palavras certas
não tiverem mais sentido.
E brinque de sentir;
quando eu disser que
estou contigo.
E a gente brincando;
se despede sorrindo.
Aline Lira, 25/01/12
SÉTIMO OLHAR PAULISTANO
Terra que eu necessito
Um ar que não respiro
Lugar que me fez
Um prédio novo a cada mês
Belas paisagens
Pouco verde
O silêncio não mora mais
Rezamos por dias de paz
Quem vem não volta
Quem volta não fica
Limpeza se suplica
Riqueza capitalista
Para muitos um porto seguro
E para outros um poço sem fundo.
Aline Lira, 2005
Quanto tempo para provar
que o tempo é curto;
quando algo inesperado acontece.
Um silêncio;
Uma pressa;
Um cuidado.
Vontade de roteirizar tudo;
Ter domínio de qualquer sequência.
É difícil separar o que é poesia;
Do que é corpo.
O vento;
O cigarro, o papo.
A alternativa pro alternativo.
E o beijo;
pro aperto.
Pro sim e pro não.
E o passo largo;
até descobrir em você;
Tudo que eu queria descobrir.
Sons, só, saudade.
O cotidiano instrumentado a vida.
SOM, só, CHÃO; Intimidade.
Entre o espaço de saciar a vontade;
escuto sons, ouço passos.
Sons da cidade.
CHÃO é música!
Tá em todo lugar.
Lira, 16/12/11
Toda vez que olho para essa folha branca em cima da mesa, é como se ela estivesse me intimidando. Eu não sei ao certo, mas eu sinto isso; uma impotência "escritorial". As ideias continuam na mente. Ecoando lá dentro. Há papel e lápis na mão, mas os movimentos estão bloqueados. As palavras querem ser escritas, mas elas têm um medo danado de parecem rídiculas, torpes. Uma vez eu conheci um cara, num corredor qualquer, de um lugar qualquer; ele me intimidava mais que a folha em branco. Às vezes me dava um meio sorriso, bem meio. Um dia caminhando pelo corredor dos lugares imaginários; ele estava sentado, numa cadeira azul, anotando qualquer coisa em seu caderno... Eu passei e ele ficou me olhando. Quando eu estava lá na frente ele me chamou: _HEy_ porque vc se intimida? _ Eu só quero intimidade.
Aline Lira_13/08/11